A FANTÁSTICA HISTÓRIA DO UNION BERLIN….

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Estabelecido em 1966 com o nome atual. O Union Berlin é um clube que, este ano, atingiu a primeira divisão alemã pela primeira vez na sua história. É conhecido não tanto pelas conquistas dentro de campo. Mas pela sua bem vincada identidade e cultura democrática.

No seu palmarés, conta apenas com vários títulos de divisões secundárias. Quer antes quer depois da reunificação da Alemanha em 1990. Os seus dois maiores feitos foram a vitória na taça da Alemanha de Leste (RDA), em 1968, e a chegada à final da taça da Alemanha em 2001.


Na Alemanha comunista (RDA) dos anos 70 e 80, muitos clubes de futebol estavam associados a organizações políticas. O maior rival do Union, o Dínamo de Berlim, por exemplo, era a equipa da Stasi – a “PIDE” do regime. Naturalmente, era a equipa que mais títulos ganhava na altura.

Torcida e não apoio do Estado

Por outro lado, o Union não tinha quaisquer ligações ao exército ou ao estado, o que o tornou num instrumento anti-regime. No seu estádio, quando o Union tinha um livre direto, muitos fãs gritavam “a barreira tem que cair”, numa subtil alusão ao muro de Berlim que cairia em 1989.

Doando o Sangue pelo Clube


O reduto do Union, o Stadion An der Alten Försterei (literalmente “estádio na casa do velho guarda florestal”), é uma raridade no futebol moderno que conhecemos: dos seus 22.000 lugares, apenas 3.600 são sentados – 83% do estádio vê o jogo de pé, o que cria uma atmosfera única.
Em 2004, e para pagar a entrada na quarta divisão alemã, os fãs criaram o movimento “Bleeding For Union”. Como na Alemanha os dadores de sangue são remunerados, vários adeptos do fizeram-no e doaram as receitas obtidas ao clube. Numa metáfora inédita na história do futebol – literalmente sangrar pelo clube.

Em 2008, e na terceira divisão, o Union precisava de remodelar o estádio, para que este obedecesse aos novos critérios da federação. Só foi preciso contratar empresas para trabalhos mais sofisticados como o telhado do estádio. Um grupo de 2500 adeptos, entre os quais professores, enfermeiros e indivíduos de várias profissões, fez muito do resto gratuitamente. A remodelação demorou 300 dias, e a mão-de-obra dos adeptos esteve na ordem das 140.000 horas de trabalho em prol do clube.


Em 2014 o clube voltou a ter algum destaque midiático: em tempo de mundial de futebol, a direção convidou os adeptos a trazerem os próprios sofás para o Alte Försterei, numa iniciativa chamada “World Cup Living Room”. O relvado encheu-se de sofás para serem vislumbrados os jogos da competição num ecrã gigante.

A Tradição Natalina

Todos os natais, numa tradição que começou em 2003, os adeptos juntam-se no estádio para durante 90 minutos entoarem cânticos alusivos à quadra natalícia (sem sequer haver jogo). No primeiro ano, apenas 89 pessoas compareceram. Hoje em dia, o estádio enche por completo.


Os dois jogadores mais conhecidos do plantel atual são Neven Subotić (ex-Dortmund), e Felix Kroos, irmão de Tony Kroos. Perdeu 4×0 em casa com o Leipzig no primeiro jogo. É sério candidato à descida, mas o que é certo é que os seus adeptos jamais o abandonarão!

Moral da história: o futebol é muito mais que um jogo. O Union Berlin mostra ser muito mais que um clube!

🖋 Artigo de Tomás Matos

Emerson Morelli

Fanático por futebol desde garoto, o colecionismo se tornou uma extensão disso.

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