Até onde vai essa loucura?

Há muito tempo que o futebol deixou de ser um esporte marginalizado e cada vez mais busca a posição de modalidade com mais dinheiro investido, com isso estamos acompanhando uma elevação absurda nos gastos em tudo que envolve o nosso esporte bretão. Comparar modalidades é sempre muito difícil, mas numa análise com as principais ligas nacionais, a Premier League aparece na quarta posição com uma receita de aproximadamente 4 bilhões de euros por temporada. A NFL lidera com 10,6 bilhões de euros por temporada, mais que o dobro da receita da liga inglesa. Mas quando partimos para a quantidade de campeonatos nacionais de grande importância no futebol esse número da NFL fica bem para trás, existe uma expectativa de que a receita das ligas irá girar em torno de quase 50 bilhões de euros no futebol e esse é um número que provavelmente ainda não chegou no seu máximo.

No campo das contratações, a cada janela de transferências, observamos boquiabertos os recordes sendo quebrados sem nem parecer que o mundo vive uma crise econômica. Para se ter uma ideia só nessa temporada o recorde de goleiro mais caro da história foi quebrado duas vezes, primeiro com a chegada do brasileiro Alisson ao tradicional Liverpool por aproximadamente 72 milhões de euros e poucos dias depois Kepa, da Espanha, chega ao Chelsea vindo do Athletic Bilbao pela bagatela de 80 milhões de euros. E estamos falando de goleiros, posições historicamente subvalorizada no futebol.

Nos patrocínios não é diferente empresas gastam centenas de milhares de euros para estampar sua marca nos grandes centros do futebol, para se ter uma ideia do dinheiro movimentado o Manchester United é quem encabeça a lista de clubes mais valiosos do mundo. Só com Chevrolet, 54 milhões de euros, e Adidas, 94 milhões de euros, os Red Devils já abocanham quase 150 milhões de euros por temporada. O negócio é tão grande que o marketing hoje é mais importante que os resultados dentro das quatro linhas. Nessa última janela o United fez apenas três contratações, nenhuma grande, mas em compensação fechou com mais três patrocinadores subindo seu orçamento para mais de 210 milhões de euros anuais.

Para o torcedor tudo está mais caro, desde a ida ao estádio até a compra de produtos licenciados dos clubes do coração, resultado da inflação gerada pelas altas cifras investidas a cada novo contrato com um clube de futebol.

Quando essa loucura vai parar? Aparentemente não demonstra sinais de que exista um limite nesse gasto desenfreado, mas sequelas estão surgindo, atualmente não vamos ver nem Cristiano Ronaldo destruindo nos jogos do calcio italiano e nem o menino Ney partindo para cima nos gramados franceses, pois nenhuma emissora nacional abriu os cofres para pagar a quantia pedida pelos campeonatos italiano e francês. Com isso não vimos a primeira rodada da competição na França e muito provavelmente não vamos acompanhar a rodada italiana neste fim de semana. Ainda existem negociações que podem mudar o quadro em breve, mas a realidade atual é que até às emissoras estão receosas com o tamanho que o negócio futebol está chegando.

Se vai mudar ou vamos continuar vendo recordes sendo destruídos só o futuro nos dirá.

Rodrigo Pedrosa

Membro da família Na Gaveta, apaixonado por esportes, colunista do Manchester United no Manchester United Brasil, colecionador, Pai de Alice e Carol, atleta de handebol no Clube Português do Recife...

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