CELTIC – QUANDO GANHAR INTERNAMENTE NÃO BASTA

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Maio de 2003…
Em Sevilha, sob um calor tórrido, FC Porto e Celtic disputam a final da Liga Europa.
No banco, dois treinadores da nova geração e que diziam querer conquistar o mundo. De um lado Martin O’Neill, do outro, “himself”, The Special One, José Mourinho.
No final, alegria portuguesa, com a vitória por três bolas a duas no prorrogação.
Mal, saberiam, contudo, os adeptos do clube católico de Glasgow, que era a última vez que iriam estar no epicentro de uma grande decisão de um título europeu. E, até então, os Bhoys, já, haviam tocado o céu…e em Portugal!

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A Glória Máxima


Estávamos em 1967. Pela primeira vez, em Portugal, iria disputar-se uma final da Taça dos Campeões Europeu, entre Celtic e o Inter de Milão. Jogo disputado em Lisboa e, surpreendentemente, vencido pelos escoceses. Os Lisbon Lions ganhavam o seu lugar na eternidade. Jock Stein começaria a merecer o título de melhor treinador da história da “terra de Braveheart”. Até aparecer um tal de Alex Ferguson.


O clube, ainda, haveria de chegar a outra final da máxima prova europeia, em 1970, quando em San Siro, foi derrotada pelo Feyenoord. Num dos primeiros gritos de emancipação do futebol holandês. E sem que o Ajax estivesse envolvido.


A partir daí, mas com especial incidência nas décadas de 80 e 90 do século passado, o Celtic começaria a perder terreno para os seus rivais, Rangers.
Apesar de tal suceder, a verdade é que o duopólio no campeonato escocês, permitia que ambas as equipas chegassem às competições europeias em condições de serem competitivas. Isso, levava a que aos jogos no Celtic Park fossem tormentos para qualquer adversário. Caindo, inclusivamente, naquele recinto clubes como o Barcelona ou Milan, para além de alguns emblemas portugueses.

O Inicio da Queda Continental


Porém, no início da presente década algo aconteceria, que faria mal ao futebol escocês em geral.
O Rangers, o arqui-inimigo da parte católica da cidade, fruto de muitas dívidas contraídas, entrava em bancarrota e via-se na contingência de recomeçar do último escalão do futebol do país.


Apesar de isso ter possibilitado ao Celtic voltar a vencer campeonatos com espantosa assiduidade (olvidando-se o período de 10 anos sem festejar o título máximo do país, ocorrido entre 1988 e 1998), o fato é que essa realidade, apenas, serviria para fazer trabalhar a ilusão.
A ilusão de que para ganhar não era necessário trabalhar. E, pasme-se, o clube reforçou o seu estatuto de máxima força do país. Mesmo agora com o Rangers de volta ao escalão máximo, mas tornou-se inócuo no futebol europeu.


Poderão contrapor-nos com o fato de, agora, ser impossível chegar aos jogadores mais fortes do futebol europeu, ou até mantê-los. Mas, a verdade, é que a queda nas competições europeias dos Bhoys anda de mão dada com o “trambolhão” financeiro e desportivo do arqui-rival.

O Mais Recente Vexame


Ontem, mais “um prego no caixão” da honra europeia do clube. Atualmente, orientado por Neil Lennon, antiga glória do clube e antecessor de Scott Brown na arte de intimidar adversários.
Assim, depois de um empate a um em Cluj, na Roménia, veio o balde de água fria, em casa. Justo onde o clube sempre fora mais forte!


Uma derrota por quatro bolas a três, perante o clube do mítico Dan Petrescu. A certeza que a Champions League é “grande” demais para o clube. Espera-o, agora, os suecos do AIK Estocolmo, nos play-off para a entrada nos grupos da Liga Europa.
Porém, longe vão os tempos que jogar contra os católicos de Glasgow era um inferno, se nos é permitida a blasfémia metafórica. O mundo mudou e com ele foram os Bhoys!

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