Champions: É Obrigação?

Texto originalmente publicado pelo Blog do Jorginho. Quer ler mais do blog ? Clique no link.

Com o advento da internet e canais por assinatura. O acesso a informação nos dias atuais, falar sobre futebol europeu virou algo rotineiro no dia a dia. O “soccer” do velho continente passou a ser cada vez mais debatido em terras tupiniquins. Com isso “verdades absolutas” passaram a transitar entre os assuntos que envolvem este esporte.

A Bola da Vez

A questão da vez, e que circula com frequência nas redes sociais e mesas redondas. A falácia do “Champions é obrigação” quando se trata de determinados clubes ou personalidades. Mas em um esporte tão complexo e cheio de variáveis, existe alguma lógica em cobrar um título de alguém que seja oriundo de um torneio em mata-mata? Há sentido em ignorar as vertentes caóticas e desordenadas de um jogo. Tratá-lo como uma ciência exata para chegar em uma opinião?

A resposta para isso é não. Não há sentido algum nisso e cravar como obrigação vencer a Liga dos Campeões para qualquer time ou ser humano, é ignorar coisas que compõem o jogo.
Juventus, PSG e Guardiola, são exemplos de “entidades” que carregam consigo o peso/privilégio de serem cobrados nos dias atuais para levantar o troféu europeu, não importando a competitividade que exibiram durante a campanha. Mas se existem três clubes com tal responsabilidade e apenas uma taça, a conta simplesmente não fecha. E levando em conta que nenhum dos três possui um orçamento ou elenco destacadamente superior a todos os outros restantes, criar essa obrigação fica ainda mais sem fundamento.

O Nível dos Rivais


Porque no nível dos supracitados, ainda existem times como Liverpool, Bayern, Barcelona, Real e Atlético de Madrid. Isso para não citar Borussia Dortmund e Tottenham, ou alguma outra surpresa de temporada que costuma surgir com frequência, e com força para eliminar qualquer adversário. Não existe “o destaque” que justifique essa obrigação
Mas você pode pensar: “ganhar o torneio nacional para alguns desses times é pouco, o projeto é de conquistar a Europa”. Uma coisa não tem relação com a outra. O objetivo maior de um clube não vira necessariamente um compromisso a ser cumprido. Até porque, nesse caso, viraria também o compromisso de outros, tão poderosos quanto, o que anula novamente essa obrigatoriedade.

O poder do imprevisível


Para além, um torneio de mata-mata, como é o principal de clubes da UEFA. Permite a interferência do imprevisível e do incontrolável. Seja uma arbitragem ruim, uma falha individual que coloque todo um trabalho em cheque, uma atuação memorável do goleiro adversário, uma bola que desvia e toma ou não o caminho do gol, São infinitas variáveis que intercedem no resultado final de uma partida de futebol. Podem castigar mesmo quando se parece ter o controle absoluto da situação. Nesse caso, é mais razoável tratar como obrigação um campeonato de pontos corridos. Onde dificilmente o melhor não vence, e os tais argumentos de dinheiro gasto, de projeto, de obrigação, podem ser cobrados com mais racionalidade.


Portanto, não existe o título protocolar ou obrigatório para ninguém. Nenhum clube, jogador, ou treinador tem a obrigação de serem campeões europeus. A pauta mais coerente é competitividade. Ter um dos melhores elencos e orçamentos de um torneio o obriga a ser competitivo, e não vencedor. Até porque em uma competição desse nível, potências não se encontram sozinhas. É necessário bom senso para entender isso, e pensar com a régua na altura justa, e não na irreal. E a partir daí sim, pautado na competitividade, analisar caso por caso para ser ter o entendimento de fracasso ou sucesso.

Emerson Morelli

Fanático por futebol desde garoto, o colecionismo se tornou uma extensão disso.

You may also like...

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *