Colecionador Leon Alves

Hoje vamos até a cidade do Rio de Janeiro entrevistar um colecionador que tem um foco incomum. Falamos com o colecionador  Leon Alves, também conhecido pelos amigos como Leon Centenário, o motivo? Nosso entrevistado tem como foco camisas de centenários de clubes. Confira a entrevista e mais da coleção no perfil Arquivo Centenário.

 

NaGaveta: Como começou a colecionar? Alguém em especial te incentivou?

Leon: Eu sempre gostei mais do aspecto estético e histórico do futebol, do que o prático e tático. Em outras palavras, queria saber mesmo das camisas, cores e escudos em vez de ver um jogo e discutir posicionamento em campo. E até hoje é assim.

Dito isso, comecei a ter as primeiras camisas no início da adolescência. Ainda assim não era bem uma coleção. Tanto que não tenho mais nenhuma dessas peças da época. Eram somente três ou quatro camisas, ainda que eu tivesse tentado ampliar esta quantidade. Mas estou falando dos anos 80, onde não era tão fácil conseguir camisas originais, e eu mesmo não podia comprar sem depender de mesada ou presente dos pais.

Só muito tempo depois, já adulto, comecei a adquirir algumas camisas que achava bonitas ou interessantes. A partir daí eu já tinha alguma verba e maior acessibilidade, até do próprio mercado. Acabei não parando mais.

O Foco da Coleção

Na Gaveta: Sua coleção tem algum foco específico?

Leon: Eu busco camisas de centenário do clube. Esse foco foi ampliando com o tempo. No inicio eram apenas times do Brasil e do exterior, mas não pegava seleções. Hoje seja profissional ou amador, brasileiro ou estrangeiro e também seleções. Apenas precisa completar 100 anos ou mais e ter alguma referência na camisa.
Aliás, esse foi outro adicional ao foco: ter mais de 100 anos. Percebi que alguns clubes bem mais antigos não tinham essa lembrança de centenário, mas com o tempo comemoravam 110, 115 anos em seus mantos. Também foi uma forma de não deixar de fora alguns clubes tradicionais.

NaGaveta: Qual camisa você destaca na sua coleção?

Leon: É uma pergunta difícil e recentemente conversei com um amigo sobre esse tema. Obviamente possuo alguns destaques como uma edição limitada de 111 anos do Werder Bremen, camisas de jogo de centenário de algum clube, Uma de centenário da Juventus-ITA com autografo do Zidane ou uma edição numerada de 100 anos do América-RJ, mas cheguei a conclusão que o destaque acaba sendo a forma como consegui muitas delas. E nesse caso são tantas historias que vivi e amizades que fiz que deixaria essa entrevista enorme.

Como surgiu a ideia desse foco tão diferente.

NaGaveta: Como é ter um foco tão específico? E como surgiu a ideia desse foco?

Leon: Decidir adotar este foco foi um pouco de acaso. Lembra quando falei que adquiria camisas que achava bonita ou interessante? Então, algumas que me atraíam eram de centenários. Ainda assim eu só me liguei que tinha um foco na minha frente quando vi a quantidade de camisas de 100 anos predominando. Mesmo assim fiz uma pequena pesquisa pelos colecionadores e naquela época não encontrei ninguém com a mesma ideia. A possibilidade de ter um nicho diferente e exclusivo foi o detalhe decisivo. Acreditei tanto no foco que dei até um nome pra coleção, a Arquivo Centenário.

Vale ressaltar que esse foco me causa um problema de ”timming”, o momento certo pra conseguir a camisa. Se eu tentar obtê-la muito no começo ela ainda é novidade, e geralmente valorizada por lojas e clubes. Se eu esperar demais ela fica escassa e rara entre os colecionadores. No geral dá um baita trabalho, como em qualquer coleção, mas  creio que esse detalhe dificulta ainda mais.

Ainda tem algum sonho de consumo?

NaGaveta: Quantas camisas desse foco você tem aproximadamente? Mesmo com tantas camisas ainda existe aquela que seja o sonho de consumo?

Leon: Confesso que não tenho um numero exato. Estou revisando o acervo e finalmente recontando, mas posso afirmar que são mais de 400 camisas. Sonho de consumo para a coleção é sempre aquela que não tenho ainda no acervo, mas curiosamente tenho alguns desejos de consumo que não fazem parte do meu foco. Algo mais a ver com ser apaixonado por camisas mesmo. Algumas delas seriam a da Bélgica away de 85, Dinamarca home e away de 86 e Nigeria away de 94.

NaGaveta.com: Alguma história curiosa de como conseguiu alguma de suas camisas?

Leon: Não lembro de uma historia especifica, mas tem de tudo um pouco. Ir longe por uma camisa, conhecer dirigentes, funcionários, histórias e estruturas de clubes, descobrir camisas quase que por acidente, tentar durante meses ou até anos adquirir aquela peça que outro colecionador tem… tudo isso é muito legal. Um conjunto de experiências que me deixa até um pouco chateado quando vejo uma parte dos colecionadores que parece ter se apegado a filosofia “do mercado” e priorizado o lucro, desperdiçando esse valor simbólico. A meu ver o legal nisso é descoberta de acervos e a relação humana. Tenho amigos que fiz no colecionismo que confio bem mais do que amigos de fora desse meio e que são de longa data. E que continue assim.

Emerson Morelli

Fanático por futebol desde garoto, o colecionismo se tornou uma extensão disso.

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