Viradas históricas – Como não se apaixonar!

Felicidade de quem sabe que faz parte da história!

Minha história com o Manchester (assim mesmo sem o UNITED, pois na cidade só existe um time de verdade) começou há um bom tempo, em 1992. Naquele time vermelho, mais fraco que os grandes favoritos, um detalhe me chamava muita atenção, na época então com 12 anos e o sonho de ser goleiro, esse detalhe era Peter Schmeichel, ele fechava o gol da Dinamarca e faria história na Eurocopa 92. Após o título improvavel fui atrás do time em que o raivoso gigante dinamarquês jogava, foi quando tive meu primeiro contato com o Manchester United, provavelmente já havia escutado falar dos Red Devils, mas foi após a Eurocopa que me interessei pelo time, eu tinha que acompanhar aquele goleiro.

26 de Maio de 1999, o Manchester comemora uma virada histórica!

Naturalmente comecei a torcer para o Manchester e pouco depois consegui minha primeira camisa (mas isso é uma outra história), como dava trabalho (hoje em dia é muito fácil) conseguir informações sobre o time, era uma tarefa quase impossível até os placares dos jogos. Minha sorte era um francês encrenqueiro que normalmente aparecia nos noticiários esportivos, um tal de Eric Cantona. Durante muito tempo tive que me contentar apenas com os resultados e vez por outra aparecia algum golaço por aqui.

Os carrascos da final, Sheringham e Solskjaer.

Esses primeiros anos foram difíceis por isso vou dar um salto temporal para a Champions League 98/99, com transmissão da TV Cultura aqui em Recife. Faltava aulas para assistir aos jogos do Manchester e seus craques, Schmeichel, Stam, Scholes, Keane, Giggs e o Spice Boy David Beckham, isso mesmo Spice Boy, pois na época as Spice Girls eram mundialmente famosas, muito mais que ele, por isso Becks era conhecido como o namorado da Posh Spice, com o tempo as coisas mudaram, e hoje talvez ninguém nem lembre que Victoria Beckham um dia foi Victoria Adams, mas voltando ao futebol, que time era esse? De viradas espetaculares, um domínio no campeonato inglês, coisa de cinema. Quando lembro desse time meus olhos chegam a brilhar. No mata mata eliminamos a Inter de Milão de Ronaldo, Baggio, Pagliuca e cia. Na semifinal foi a vez da Juventus de Henry, Zidane, Davids e o jovem Del Piero. Na final, em Barcelona, a cereja do bolo, sim aquela final contra o Bayern de Kahn, Matthaus, Effemberg e Mario Basler. Lembro que gravei o jogo numa fita vhs, talvez muitos que estejam lendo não saiba nem o que é.

Tristeza e desolação dos jogadores do Bayern acompanhando a festa do Manchester.

Como de costume dei um jeito de não ir para a aula nesse dia, 26 de maio de 1999, a melhor falta da minha vida, o jogo foi tenso, o Manchester não se encontrava e o Bayern abriu o marcador poderia inclusive ter feito mais gols, lembro de duas bolas na nossa trave, nessa hora não existia mais unhas, estava roendo era os dedos mesmo, o jogo só melhorou um pouco pra gente com a entrada de Solksjaer, mas mesmo assim com pouco perigo para o Bayern. Quis o destino e os deuses do futebol que em apenas 5 minutos tudo mudasse, foi aquele knockout devastador no último round, dois socos certeiros deixando o mundo do futebol boquiaberto. Escanteio, Beckham cobrou e depois de uma confusão na área a bola sobrou para alguém chutar, acredito ter sido Giggs, só lembro de Teddy Sheringham completando o chute (que iria pra fora) para dentro do gol, empatamos o jogo aos 45 minutos do segundo tempo. Só isso já nos daria força para vencer na prorrogação, mas tinha que ser épico, e logo após o gol de empate, novamente escanteio, novamente Beckham na cobrança desta vez Sheringham raspa a cabeça na bola e ele, Ole Gunnar Solksjaer toca para dentro do gol. Lembro que nem comemorei, fiquei em choque, demorei uns segundos para a ficha cair (mais uma coisa que a garotada nem imagina o que é), mas depois foi uma explosão de alegria, lembro bem de Schmeichel dando estrelas no gramado, uma festa que até hoje nunca terminou, pois se você falar desta final para qualquer torcedor do Manchester a primeira reação é abrir aquele sorrisão!

Rodrigo Pedrosa

Membro da família Na Gaveta, apaixonado por esportes, colunista do Manchester United no Manchester United Brasil, colecionador, Pai de Alice e Carol, atleta de handebol no Clube Português do Recife...

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