Cores. O que Holanda, Alemanha e Itália têm em comum

Já falamos aqui no site de escudos, mascotes, coleções de camisas e chegou a vez de falarmos de cores de camisas.

Mais especificamente de cores das camisas das seleções de futebol.

Os uniformes, assim como os escudos, são ícones da identidade de clubes e seleções de futebol. São como um estandarte, representando uma nação.

Ah, mas as seleções usam nos uniformes as cores de suas bandeiras. A grande maioria sim, mas nem todas.

Imagine por um momento a Seleção Brasileira jogando de vermelho. Estranho não é mesmo?

Na Europa pegamos as três principais seleções que utilizam cores diferentes das de suas bandeiras. Todas elas as utilizam segundo a história de cada uma e enchem de orgulho cada nação.

A Laranja Mecânica

O país, ou os Países Baixos, tem em sua bandeira as cores vermelha, branca e azul. O primeiro uniforme da Seleção Holandesa foi branco com listras azuis e vermelhas e foi utilizado contra a Bélgica em 1905. Essas cores são até utilizadas algumas vezes no segundo uniforme, mas o tradicional e mais emblemático, principalmente nos anos 70 é o laranja que hoje é a marca de sua seleção no uniforme principal.

Primeiro uniforme da Seleção Holandesa

Primeiro uniforme utilizado pela Holanda. Camisa branca com listras vermelhas e azuis, calções e meias pretas.

Mas, porque o laranja?

No escudo da Seleção Holandesa vemos KNVB, que representa Koninklijke Nederlandse Voetbalbondou Real Associação de Futebol dos Países Baixos e a cores que representam são uma referência direta ao principado dos Orange-Nassau.

Escudo utilizado na camisa da Seleção Holandesa

Koninklijke Nederlandse Voetbalbond ou Real Associação de Futebol dos Países Baixos.

A própria bandeira holandesa que citamos é baseada na Prinsenvlag, ou A Bandeira do Príncipe, em referência a Guilherme I Príncipe de Orange, líder do movimento de independência dos Países Baixos, que culminou na Guerra dos 80 anos e a independência do domínio espanhol.

A Prinsenvlag tem as cores das armas reais do príncipe que são o laranja, branco e azul. Como antigamente a cor laranja tendia a ficar vermelha com o passar do tempo, no século XVII o vermelho foi adotado como cor oficial da bandeira no lugar do laranja. A versão atual da bandeira entrou oficialmente em vigor por decreto real em 1937.

A Laranja Mecânica de 1974

Em 74 a Seleção Holandesa foi chamada de “Laranja Mecânica” em referência ao filme homônimo de Stanley Kubrick, de 1971.

Alemanha

Atual campeã do mundo, a Seleção Alemã tem um fato curioso nos seus uniformes, pois o uniforme principal tem a camisa branca com calções negros e no segundo uniforme em algumas oportunidades já foi utilizada a cor verde nas camisas com calções brancos.

A Alemanha, na sua origem futebolística, fazia parte do Império dominado pela Prússia, que tinha branco e preto nas cores de sua bandeira com o símbolo de uma águia Reichsadler representando o império. Daí surgiu o uniforme que conhecemos até os dias atuais: predominantemente camisas brancas e calções negros.

Bandeira da Prússia.

Bandeira da Prússia.

Fim da Primeira Grande Guerra e a Prússia já não existia mais.

Surgiu um estado, surgiu o Reich, outra guerra, viraram dois países, voltaram a ser um só e no meio dessas mudanças que todos conhecem a bandeira é hoje da forma como a conhecemos: preta, vermelha e amarela.

E a camisa?

Bom a camisa não mudou. Predominou sempre o branco com no máximo alguns grafismos com as cores que representam a bandeira e só. A tradição do Império Prussiano permanece até hoje na camisa da Mannschaft.

Clássico uniforme da Seleção Alemã;

Alemanha em 1990, com o tradicional uniforme branco e preto e os grafismos com as cores da bandeira alemã.

E qual a história da camisa verde?

Com o final da Segunda Grande Guerra, os alemães ficaram proibidos até a década de 50 de participar de qualquer evento esportivo. No retorno, a Seleção Alemã jogando com grande frequência fora de casa adotou o verde na camisa que já estava presente no escudo da Deutscher Fussball Bund

A primeira partida em que os alemães vestiram verde foi em 1950 em vitória por 1:0 frente a Suíça.

Depois disso, a camisa verde já foi vista oito vezes em jogos de Copa do Mundo, sendo vista inclusive em uma final de Copa do Mundo. Foi em 1986, na Copa do Mundo realizada no México. A Alemanha, liderada por Karl Heinz Rummenigge, foi derrotada pela Argentina de Diego Maradona por 3:2 numa das finais mais emocionantes da história.

Alemanha com seu uniforme alternativo verde.

O árbitro brasileiro Romoaldo Arppi Filho observa o cumprimento entre Maradona e Rummenigge na final da Copa de 86.

Squadra Azzurra

Bom, o azul é a cor oficial da realeza italiana que unificou a Itália no século 19 e era vigente na época do surgimento do selecionado da velha bota. Os Savóias inspiraram a mítica história daquela que seria uma das camisas mais vitoriosas do futebol mundial.

Squadra Azzurra.

Itália com camisas azuis, calções brancos e meias negras na final da Copa do Mundo de 1934.

Bem verdade que no início o selecionado italiano jogava de camisas brancas e com o escudo real no peito. Mas em 1911 utilizou pela primeira vez a cor azul da Casa Savóia, e o fez até chegar à sua primeira grande conquista mundial, a Copa do Mundo de 1934.

Itália de preto durante o Regime de Benito Mussolini.

Itália de preto durante o Regime de Benito Mussolini.

Durante o fascismo, o azul deu lugar ao preto, mas após a Segunda Guerra Mundial o azul voltou a vestir sua seleção. Logo, a monarquia virou república, e o escudo real saiu da camisa dando lugar as cores da bandeira italiana. Com o tempo o escudo da Federazione Italiana Giuocco Calcio assumiu o emblema no peito da maglia piú bella del mondo.

O azul já fazia parte da identidade não só da nação, mas daquela seleção que já ostentava dois títulos mundiais e a alcunha de Squadra Azzurra.

Inovações? Somente nos tons de azul de um modelo para outro. Nada que pudesse descaracterizar esse ícone do futebol mundial.

Atual camisa de cores azul e branco da Squadra Azzurra.

Atual camisa azul da Squadra Azzurra.

Fábio Vilela

Fábio Vilela cozinha, desenha, fotografa, coleciona camisas e gosta de falar de futebol. Adora lembrar dos craques dos anos 90 e da época de ouro do Calcio. Relembra com nostalgia dos seus esquadrões de futebol de botão, que ele mesmo fazia. Fã de polêmicas e de Cantona, Sérgio Ramos, Luis Suarez, Batistuta e acha La Bombonera o estádio mais legal do mundo.

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5 Responses

  1. Wilton diz:

    Muito massa! Gosto de procurar as referências históricas que o futebol tem. Pra mim, é o único esporte democrático que existe. E a história do futebol tá entranhado nos movimentos políticos e sociais desde que surgiu.

  2. Renan Consoli diz:

    No meu guarda-roupa so entram as laranjas… Tenho muitas…

  1. 19/07/2017

    […] você ainda não viu, confere antes a primeira parte desse especial clicando aqui. Sem ler primeiro a primeira parte da história esse texto é um texto nota 6. Agora, se você ler […]

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