Insólito FC | A lenda do futebol lusitano que era da Silva e iniciou no Brasil

Considerado como um dos maiores jogadores da história do futebol mundial.

Bola de Ouro da Revista France Football, um título da Liga dos Campeões da UEFA, dezessete campeonatos nacionais sendo artilheiro em sete oportunidades, duas vezes Chuteira de Ouro na Europa, três vezes artilheiro da Liga dos Campeões da UEFA, artilheiro de uma Copa do Mundo, segundo maior artilheiro da história do Campeonato Português.

Eusébio da Silva Ferreira, ou simplesmente Eusébio, completaria hoje 76 anos.

Nascido em um bairro pobre da capital de Moçambique, foi lá, nos campos improvisados de Lourenço Marques que ele desenvolveu um leque de dribles curtos e rápidos, aliados a um domínio de bola pouco visto naquela época.

Eusébio não começou sua carreira no Brasil. Foi modo de dizer, já que começou no Brasileiros Futebol Clube em Moçambique.

Recusado na filial do Benfica no país, o Desportivo de Lourenço Marques, ganhou destaque em outro clube: o Sporting, só que o de Lourenço Marques. Além do início de certo modo vinculado ao Brasil, foi um brasileiro, ex-zagueiro do São Paulo, que numa excursão pela África no final dos anos 50, viu um grande talento em um atacante o qual a equipe que treinava jogou contra, na capital de Moçambique. Bauer, na época treinador da Ferroviária, tentou trazê-lo para o clube de Araraquara, mas sem dinheiro, acabou indicando ao amigo que o havia treinado no São Paulo, o húngaro Bela Guttman, então treinador do Benfica.

Eusébio em ação pelo Benfica

Eusébio em ação pelo Benfica

O jogador chegou a Lisboa em dezembro de 1960. Já o húngaro, após conquistar três campeonatos nacionais, uma copa portuguesa e duas Copa dos Campeões da Europa, a maioria com o talento do africano, se desentendeu com a diretoria dos Encarnados e na saída rogou a maior praga do futebol mundial: “Nem daqui a cem anos um time português será campeão europeu e o Benfica jamais vencerá a Copa dos Campeões sem mim.”

O Porto fez sua parte e quebrou a maldição. Já o Benfica, segue firme a escrita e nunca ousou lançar por terra a praga de Bela Guttman. Na final da Copa dos Campeões de 1989/1990 frente ao Milan, em Viena, Eusébio teria visitado o túmulo do falecido húngaro, que justamente estava sepultado na capital austríaca, para rezar e pedir que a maldição chegasse ao fim. Mas parece que nada adiantou. Os portugueses que contavam com os brasileiros Aldair, Valdo e Ricardo Gomes não resistiram ao trio holandês de Milão. Rijkaard, Gullit e Van Basten começariam a fazer história nos rossoneri.

Eusébio defendeu o Benfica durante 15 dos 22 anos de carreira, sendo o maior goleador da história do clube com 473 gols em 440 partidas pelos Encarnados. Lá, ganhou 11 campeonatos portugueses, cinco copas portuguesas e uma Copa dos Campeões sobre o Real Madrid de Ferenc Puskás.

O pantera negra Eusébio

O pantera negra Eusébio

 

Pela Seleção Portuguesa, já que Moçambique na época era colonia portuguesa, foi o astro do escrete lusitano que estreava em Copas do Mundo em 1966. Foi artilheiro do Mundial anotando nove tentos, quatro deles na impressionante virada portuguesa sobre os coreanos após tomarem três gols em apenas 25 minutos. Sua melhor e mais memorável partida com a camisa portuguesa. Foram 41 gols no total, sendo superado apenas pelos gajos Cristiano e Pauleta.

Cristiano Ronaldo e Eusébio

Cristiano Ronaldo e Eusébio

Apesar de ser cobiçado pelos gigantes clubes europeus, o “Pantera Negra” só trocou a Luz no final da carreira, indo para os Estados Unidos onde outros “galáticos” da época desfilavam o fino da bola. Após tantas arrancadas e diversas cirurgias no joelho, o craque já não era o mesmo.

“Fui operado seis vezes no joelho esquerdo e uma vez no joelho direito. Era um drama. As operações nos joelhos são sempre um grande problema em alta competição e nisso devo ser, seguramente, recordista mundial. Cheguei a pensar que, mais cedo ou mais tarde, acabariam por cortar-me a perna! Graças a Deus não foi preciso. Sei que essas operações custaram-me muitos, muitos gols, mas era a vida.” – Eusébio, em depoimento ao jornal esportivo A Bola, de Portugal.

Chuteiras penduradas, no futebol e na vida, mas eternamente na memória de quem ama futebol.

Fábio Vilela

Fábio Vilela cozinha, desenha, fotografa, coleciona camisas e gosta de falar de futebol. Adora lembrar dos craques dos anos 90 e da época de ouro do Calcio. Relembra com nostalgia dos seus esquadrões de futebol de botão, que ele mesmo fazia. Fã de polêmicas e de Cantona, Sérgio Ramos, Luis Suarez, Batistuta e acha La Bombonera o estádio mais legal do mundo.

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2 Responses

  1. 06/03/2018

    […] da autoridade. Parece uma mescla perfeita para o desastre e brigas constantes, mas não para Béla Guttmann, que foi um dos treinadores estrangeiros que mais influenciaram no futebol […]

  2. 10/06/2018

    […] O melhor resultado do lusitanos foi o terceiro lugar, justamente em 1966, onde brilhou a estrela de Eusébio. […]

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