O Fim dos jogadores emprestados? A FIFPRO quer conseguir Isso.

Texto originalmente publicado pelo Blog A Economia do Golo em 19/04/2018. Conheça mais e Curta a página no Facebook clicando aqui.

Quarenta e sete jogadores emprestados. É este o número que os três clubes mais titulados de Portugal, colocaram, em conjunto, na presente temporada, em outros clubes. Assim, o FC Porto cedeu 13 jogadores a outros times. SL Benfica e Sporting fizeram o mesmo com 17 jogadores dos seus quadros. Porém, não se pense que é uma realidade, apenas, à escala nacional. Assim, se mencionarmos três clubes do topo europeu como a Juventus, Manchester City e Chelsea facilmente depreendemos que é uma realidade transversal a todas as ligas.  Os “bianconeri”, neste momento, possuem 41 atletas cedidos temporariamente, os londrinos 22 e os Cityzens 18.

Estes fatos causaram a indignação Philippe Piat, presidente da FIFPRO. A federação que congrega os jogadores do futebol de todo o mundo, que afirmou sem meias medidas que.

” Quando uma equipe  assina com um atleta a 1 de Julho para o emprestar no dia 3, isso quer dizer que não tem necessidade do mesmo, mas pretende especular com o seu valor.”

O que a FIFPRO pretende ?

E é contra estas atitudes que a FIFPRO pretende lutar. Para isso, instaurou uma ação contra a FIFA para a obrigar a mudar o atual “status quo”. Nesta, o “sindicato” alega estarmos perante um sistema “anti-concorrencial, injustificado e ilegal”. Por essa razão, a FIFA já acenou com algumas tentativas de reformular o sistema de empréstimos.

Assim, no passado Domingo, decorreu uma reunião em Miami. Nessa reunião a Confederação das Confederações ouviu vários peritos e consultores na temática. No intuito de ser desenhado um novo sistema e regulamento de transferências. Tal poderá passar por um controle mais apertado das mesmas. A criação de um fundo de solidariedade para os clubes formadores, à limitação do número de atletas que cada clube pode possuir vinculados.

Limitar ou mesmo proibir empréstimos pode atrapalhar os jovens ?

Porém, e voltando ao tema que tange este artigo, um ponto, a ser votado no Comité Executivo da FIFA levanta desde já polêmica. Falamos de intenção de proibir, ou pelo menos, limitar os empréstimos de jogadores entre clubes. Apesar de serem considerados uma oportunidade para os jovens jogadores evoluírem e se afirmarem, estes são também olhados pelos clubes mais modestos como a possibilidade de ter jogadores que de outro modo não poderiam pagar.

E tal, como sabemos, e como confirma o início deste artigo, é prática corrente em Portugal. Bastará citar as palavras e Stépahne Carnot, responsável pelo scouting do Guingamp, um clube francês da primeira divisão, que diz

” que quando, em missão vou a Portugal e descubro um jogador interessante num clube modesto, peço os dados dele e quase sempre está emprestado pelo Porto, Benfica, ou Sporting”.

 

E é isto que a FIFPRO pretende acabar. A obrigação de criação de um limite de atletas, pois como o já referido Phillipe Piat menciona.  ” Não é aceitável levar os jogadores como gado para os espalhar pelos quatro cantos da Europa, para os recuperar quando convém. Tal fato  cria uma concorrência desleal. Normalmente, um clube não deveria contratar os jogadores que sabe que não irá utilizar durante a temporada.

A dúvida é proibir ou limitar ?

Caso a opção passe pela proibição deverá existir uma aposta na flexibilização do número de jogadores no plantel que as equipas poderão inscrever. Caso, se opte pela limitação, há que ter em conta os atletas que  atualmente, os clubes possuem nos quadros. Sendo necessário um período de transição para permitir aos mesmos enquadrarem-se no sistema preconizado.

E tal promete ser uma verdadeira “Caixa de Pandora” no futebol.  Caso as medidas avancem, o que os principais clubes portugueses irão fazer com os seus ativos espalhados? E, por exemplo, o acordo de cooperação entre o Paris Saint-Germain e o Vitória SC, bandeira do candidato vencedor das eleições do clube, como ficará? E como os clubes, como a foto irão conseguir superar estas dificuldades? Estas e outras perguntas prometem agitar a atualidade do futebol nacional e mundial.

Emerson Morelli

Fanático por futebol desde garoto, o colecionismo se tornou uma extensão disso.

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