Onde estão os centroavantes?

Pela primeira vez desde 2006 tivemos um centroavante reinando absoluto como o maior artilheiro de uma Copa do Mundo. Em 2014 o colombiano James Rodriguez e em 2010 o atacante David Villa dividiu a artilharia com os meio campistas Thomas Muller e Wesley Sneijder com 5 gols cada.

Mas então porque sentimos tanta falta dos centroavantes?

O artilheiro dessa Copa apesar de ter sido um centroavante nato marcou 5 de seus 6 gols na primeira fase contra as fracas seleções da Tunisia e do Panamá, além disso foram 3 gols de pênalti. Isso não desmerece o fato de Kane ter conquistado a artilharia, mas sim questiona a qualidade dos artilheiros no futebol mundial.

Os centroavantes do Brasil e da campeã França saíram da Copa sem marcar um misero gol sequer. Alguns justificam isso com as obrigações táticas dos centroavantes, mas será mesmo que é mais importante ter Gabriel Jesus, Giroud ou qualquer outro centroavante marcando ou fazendo gols? Ainda mais em uma Copa em que praticamente ninguém virou um jogo e o primeiro gol foi tão importante. Será que não era melhor marcar o gol  primeiro e marcar o adversário depois?

A Diferença entre o passado e o futuro

Vamos tomar a Copa de 1998 há 20 anos atrás com atual e notar algumas diferenças. O Brasil teve Ronaldo que marcou 4 gols, nessa Copa Gabriel Jesus como você leu acima não marcou. Na Argentina Batistuta marcou 5 gols, nessa Copa Aguero fez 2, na reserva a Argentina tinha o ótimo Crespo que naquela Copa não teve espaço e jogou menos de 50 minutos. Pela França que foi campeã naquela temporada um ainda novato Trezeguet marcou um gol, assim como Dugarry que não era um primor técnico, mas era melhor que Giroud.

Pela Itália que não esteve nessa Copa Vieri marcou 5 gols, pela Alemanha Klinsmann e Bierhoff marcaram 3 gols. Na finalista desse ano a Croácia Suker marcou 6 gols já Mandzukic apenas 3.

Isso sem contar outros nomes de seleções menores. Como o grosso mas eficiente Flo na Noruega, Salas e Zamorano no Chile, Morientes na Espanha, Kluivert na Holanda, MIjatovic na Iugoslávia. E até mesmo Ali Daei o maior artilheiro de seleções na história.

Com certeza você sentiu saudades ao ler alguns nomes acima, mas a pergunta que devemos fazer é porque o futebol mundial não revela mais esse tipo de jogador? Porque é tão difícil ver os caras que tem como obrigação fazer o gol não fazerem mais tantos gols? Será que as categorias de base raramente dão a atenção necessária a caras como Pedro do Fluminense? Aquele tipo de jogador que confia no erro do zagueiro e no rebote do goleiro. Talvez seja hora de repensar o que fazemos na base e na importância desses jogadores antes que essa seja uma posição extinta no futebol e o gol seja considerado apenas um detalhe.

Emerson Morelli

Fanático por futebol desde garoto, o colecionismo se tornou uma extensão disso.

Talvez você também se interesse por...

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *