West Ham United – Às Vezes o Passo é Maior do que a Perna…

Texto originalmente publicado pelo Blog A Economia do Golo. Conheça mais e Curta a página no Facebook clicando aqui.

Upton Park. Local mítico do West Ham United, popular clube londrino, onde se situava o seu estádio Boleyn Ground.  Um estádio que era tão grande na sua alma e idiossincrasia que conseguiu suplantar a sua própria designação, absorvendo a do local. Upton Park deixou de ser a zona, para passar a ser o estádio dos hammers. Da equipa determinada e sempre lutadora do West Ham!

Até que o West Ham decidiu mudar

E assim foi durante mais de cem anos. Mais propriamente até Maio de 2016, quando o clube, naquele dia 10, disputou o seu último desafio naquele recinto, frente ao Manchester United. Apesar da dor do adeus, a despedida foi memorável: o clube onde, um dia, pontificaram Dani, Hugo Porfírio ou Paulo Futre venceu o Manchester United por três a dois, o que serviu de um lenitivo para um doloroso adeus a um local com história.

Todavia, o desejo de ser grande obrigava a grandes passos. A ambição de arriscar. E esse risco passava por colocar as suas contas equilibradas com a venda do terreno onde se localizava o estádio e passar a disputar os desafios domésticos no Olympic Stadium. Erigido para os Jogos Olímpicos de 2012 e que sofreu diversas alterações/remodelações para ficar perfeitamente enquadrado com a prática do futebol.

Mas, tais desígnios têm sido traumáticos. O passeio ao longo da Green Street, o brinde em Queens, a visita às estátuas de Geoff Hurst, Martin Peters, campeões do mundo no longínquo Mundial de 1966. Esses eram rituais que, para os adeptos, valiam mais que todas as libras esterlinas que o clube ganhou com a mudança.

 

A Perda da “Alma”

E, além desses “momentos com alma”, existe a componente desportiva. Na última temporada, disputada em Boleyn Ground, o estádio era um verdadeiro forte. Os hammers acabaram a Premier League em sétimo lugar, com 62 pontos, só tendo sofrido três derrotas em casa. No ano seguinte, já no London Stadium (a nova designação do estádio Olímpico), a equipe tornou-se vulnerável na condição de anfitriã, pois sofreu oito derrotas. E, na presente temporada, ainda tem sido pior. O clube ocupa os últimos lugares da tabela. Da guarnição fortificada caseira restam, apenas, dois indícios: a vitória perante o Chelsea de Conte e o empate frente ao Arsenal de Wenger.

Estádio Olimpico de Londres. Fonte: https://www.facebook.com/economiagolo/

A pergunta que se coloca é como a mudança de estádio afetou a mentalidade do clube?

Comecemos pela perda de adeptos. Efetivamente, se os maus resultados levaram a um cada vez maior desinteresse dos adeptos, os novos meios necessários para chegar ao estádio têm levantado complicações. Outro, é a própria ambiência do estádio em si. As bancadas demasiado afastadas do recinto de jogo fornecem um ambiente a que os atletas do clube não estavam habituados. Com efeito, a atmosfera efervescente do Upton Park era lendária e era, mesmo, o décimo segundo jogador do clube e quantos jogos terá ajudado a vencer? Muitos, certamente!

Outro problema reside no acordo efectuado para a ocupação do estádio e na sua propriedade. O mesmo pertence à Comuna de Londres, que é o correspondente às nossas Câmaras Municipais. O acordo de ocupação havia sido realizado com o anterior presidente, Boris Johnson, e era bastante proveitoso para o clube, que pagava 2,5 milhões de libras esterlinas por ano por 25 jogos.

A Mudança no contrato do novo estádio

Posteriormente, o governo da Comuna mudou de mãos. O atual presidente Sadiq Kahn, após ter tomado também o controle do estádio, anunciou que o mesmo apresentava perdas de 24 milhões de libras esterlinas, só no presente ano de 2017. O que possivelmente, obrigará a renegociar o contrato celebrado, originando gastos que não estavam nos planos do clube. Que fruto da demolição da sua anterior casa, tem de se sujeitar ao novo local.

Porém, os 50.000 adeptos com lugar anual já não existem. Entrou-se num círculo vicioso. Em que a falta de resultados levou ao desinteresse dos fãs e consequentemente o estádio maior para receber mais gente apresenta, várias vezes, as suas bancadas vazias. Concomitantemente as receitas vão sendo cada vez menores. A pergunta que se coloca é o que acontecerá ao clube se Sadiq Kahn renegociar o contrato, obrigando o clube a pagar um montante incomportável? Para onde irão os Hammers? Em que situação?

Às vezes não basta querer crescer…

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